// Debaixo do que é aparente//

Há muita coisa debaixo do que é aparente. Para quem quer entender tudo, ver tudo, perceber o que não é (nem pode ser) aparente, torna-se desesperante.

A espera contínua, a ansiedade aumenta, a vontade de extravasar surge mas as palavras não saem. Resta a fé, a paciência de que tudo é por quem tem de ser assim.

Mas esta alma não descansa, não sossega, não se conforma. Quer avançar, ver, espreitar para além do que é aparente; quer certezas, confirmações,  e o sossego do abraço do conforto, da segurança, da reafirmação do que é a minha verdade, a minha promessa, o potencial que me é devido pelo justo e árduo esforço. Paga-me o que me deves, vida. Sê meiga para mim, que se continuo assim desespero.

Não quero continuar nesta espiral de cansaço, de anseio pelo que tarda a vir. Quero deitar-me finalmente na areia, apanhar a minha maré alta e descansar no meu lugar ao sol.

// Da energia contangiante//

Quem não gosta daquelas pessoas que conseguem animar toda a gente? Parece que a sua boa disposição é contagiante… Todo o mundo ri das suas brincadeiras, é alegria e amor no ar… Uma beleza!

Engraçado (ou não) que sejam essas mesmas pessoas que conseguem contagiar uma sala inteira com a sua má disposição quando o dia não lhes corre bem. O poço de boa disposição torna-se num buraco negro de amargura.E de repente todos à sua volta se tornam alvos a abater… É fugir para detrás de barricadas e esperar o cessar-fogo.

O ambiente fica de cortar à faca e uma pessoa pergunta-se: como é que é possível uma personalidade chegar de um extremo ao outro num tão curto espaço de tempo?

// Patience is not mmy middle name//


Patience is not my middle name, or my first or even my last.

Ultimamente, paciência é algo que não me assiste. De todo… Não que não ache que ser paciente não seja uma boa qualidade a ter no repertório mas ser paciente cansa. Cansa-me, aborrece-me e tira-me do sério, por esta ordem. Quando me pedem para esperar, para aguardar mais um bocadinho, para ter paciência, sou assolada por um cansaço mental que nem vos digo, nem vos conto… Umas vezes dá-me para bocejar, de outras para barafustar, mais que não seja internamente. Não sou dos que pedem licença a um pé para mover o outro. Eu comprometo-me e espero o mesmo dos restantes. Mas a vida não anda…

E a culpa é minha, meus senhores? Não, não é. Porque eu considero que se segui as regras do livro da vida, se fiz o trabalho que me competia, as coisas devem correr segundo a sua ordem natural: eu faço, a vida acontece.
Mas não, a minha vida neste momento parece uma repartição estatal portuguesa, cheia de burocracias e atrasos. Eu faço, nada acontece. Eu faço, mas tenho de esperar. Eu faço mas há que ter paciência.

Respirar fundo, a p**ra! Estou farta de estar á espera.
Não se vê ação nenhuma… E depois admiram-se de uma pessoa andar ansiosa.

// Be careful with what you wish for…//

… ‘cause you just might get it.

Quando o momento chega até é difícil de acreditar. É alegria, é medo, é excitação, é incerteza tudo junto numa redoma de emoção cá dentro. O desejo torna-se mais real e a decisão está nas nossas mãos.

Não há como voltar atrás. Acabaram-se as desculpas e os queixumes. A solução para os problemas existe e cabe-nos a nós conquistá-la e assumi-la.

Chegou a hora. É agora ou nunca. Com coragem. Com fé. Com força.

// Estou grata.//

2012 não foi propriamente fácil. Mas não deixo de estar grata: por tudo o que aprendi, pelas vezes que caí e tive que me levantar, pelas vezes em que estive demasiado confiante e a vida me voltou a virar a cara, pelas vezes que não tive força e a vida me fez continuar, pelas longas horas de trabalho, pelos sonhos que me trouxe, pelo fresco da manhã que me ajudou a pensar, pelas confidências trocadas no escuro da noite, pelos sorrisos sinceros, pelas falsidades que não se conseguiram esconder por detrás das mascaras, pela doce sinceridade daqueles que me quiseram bem, pelas horas atrás do volante povoadas de música e wishful thinking.
 
Se houve ano em cresci foi este. O que estava escrito, fez-se. Para 2013 levo a coragem para continuar, nem que tenha de ser sozinha, na estrada que a vida traçou para mim.

// Reverie//

Poucas coisas sabem tão bem como o cansaço típico depois de um dia bem passado na praia. O sol queima-me os olhos e deixa-me ainda mais cansada.
Tenho passado dias e dias a observar as horas passarem com lentidão enquanto os sonhos me passam pela cabeça, um a um, suavemente ganhando forma e feitio como se estivesse a sonhar acordada.

Tenho ouvido histórias e imaginado outras tantas que fazem com que os dias agora me pareçam ainda mais banais do que costumam ser. Dizem que se deve viver no presente mas o meu presente parece-me insípido e o que me interessa é o que está para vir: O MEU futuro, aquele que já esteve mais longe do que está agora, aquele povoado de alegrias e sucessos alcançados, o meu futuro lá fora…

Os planos, as premonições, as apostas, os desejos todos juntos como uma mão de cartas enroladas em fio norte. E não sei porque razão mas são todos eles agora mais meus, mais próximos, mais concretos.

E as ideias voam longe, os pés estão doridos mas a caminhada compensa.

// Naqueles dias em que só apetece ir à tromba a alguém…//

… mas não se pode, porque não é bonito, não parece bem, e o politicamente correto é ser-se contra a violência, eu sugiro:

Respirar fundo, afastar-se do café, pensar em coisas bonitas como o mar, algodão doce e unicórnios, praticar exercício físico q.b. e esperar que o karma venha repor a ordem natural das coisas.

Em outra ocasiões eu diria: “Espere pela justiça, que a verdade sempre vem ao de cima!”, mas isso era quando era nova e ingénua. Agora já sei que a justiça é uma figura mitológica, como o monstro de Lochness ou o Pai Natal… Acho que temos melhores hipóteses em esperar por uma qualquer intervenção divina.

Se isto não resultar e continuar a achar que a sua vida é madrasta, pense que existem coisas piores na vida, tipo ter um psicopata a viver na porta ao lado.

“I’m watching you, sucker, I am watching you!”

// A Roma//

Roma em março não deixa de ser a Roma do turista, do gellato, das esplanadas cheias na piazza Navona. Roma em março não foi para mim a Roma encantadora e romântica que se apregoava. Procurei essa Roma nas ruas mas não a encontrei.Não interessa, de qualquer modo não é isso que me fascina.


No entanto, Roma não me decepcionou. Encontrei a “minha” Roma no interior das belas igrejas, ao balcão do pequeno café em Campo de Fiori para um cappuccino matinal, na correia de Termini, na companhia para mais uma visita ao Vaticano,no senhor fardado no Panteão, à mesa numa das trattorias escondidas em Trastevere, nas conversas alegres ao longo dotibre, nas rosas roubadas na Piazza del Popolo.


Fiquei com a impressão que os verdadeiros romanos, apesar de partilharem as mesmas ruas que o comum visitante, vivem no mundo à parte, numa Roma mais real e só sua, onde as suas vidas se desenrolam indiferentes às idas e vindas do turista e de tudo à volta dele.

Mesmo na travessia do apinhado 64, um verdadeiro romano reconhece outro verdadeiro romano com apenas um piscar de olhos. No fundo do autocarro, a napolitana elegante a morar em Roma há tempo suficiente para ser “romana” mete conversa com o romano nómada que viveu em Londres, que passeia pelo mundo inteiro mas que não consegue evitar voltar a Roma para se sentir novamente em casa. Falam de política, trocam lugares-comuns acerca da economia e voltam ao assunto da sua bella Roma, as coisas boas e os problemas: o trânsito e o tempo que demoram a chegar a casa do trabalho mas também os lugares favoritos para jantar, tudo numa cumplicidade própria de quem sabe do que está a falar.

Os romanos sabem ser acolhedores e receber bem quem os visita mas uma certa indiferença sempre perdura. E compreende-se, a verdadeira Roma não é para todos.


Se Roma fosse uma mulher seria uma mulher bela mas “séria”, só mostra o seu verdadeiro e melhor lado para aqueles que estão dispostos a ficar tempo suficiente para a conhecer.

// Olhar para trás//


Olhar para trás e ver que a vida andou, rápido e a passos largos, e ver que já lá vai uma década desde que a menina com grandes sonhos na cabeça entrou pela primeira vez pela imponente porta da superior academia é algo que faz parar e pensar: pensar em tudo o que passou, no que se alcançou e no que se perdeu.


Ao longo de quase dez anos foram muitos os feitos, foram alguns os erros, foram muitas as farras, outras tantas as fotocópias e páginas cheias de texto para saber de cor. Foram também muitos os amigos, os companheiros de diversão, os confidentes à mesa do café, os parceiros de estudo nos anfiteratros bafientos, os que nos ensinaram muito, os que se zangaram, os que choraram connosco, os que nunca se esqueceram de ligar, os que ficaram sempre presentes.


E mesmo que a distância seja muita e os dias demasiado ocupados para nos lembrarmos de ligar a todos os que merecem mais da nossa atenção, lá vem um dia em que uma boa notícia chega e nos relembra de todos os pequenos momentos
que fizeram daquela pessoa um grande amigo.


Dizem que a felicidade é uma escolha. Eu digo que parte da nossa felicidade é ver os amigos felizes.

Photo: Wehearit

// Diários de uma asneira informática//


Ninguém me explicou como se fazia o backup do meu fiel netbook. E sinceramente, sempre me senti capaz de o descobrir e fazê-lo eu mesma sem pedir favores a ninguém, numa atitude: “Olha para mim tão tecno-savvy a desenrascar-me sozinha…”


Também, quão difícil podia ser? Era só ligar o disco externo, instalar o software e “ok”.

O que ninguém me tinha dito era que o processo me ia apagar todas as outras pastas que tinha no disco externo: todos os documentos, todas as fotos dos últimos anos, todas as memórias de viagens, festas, eventos, etc… tudo perdido sem qualquer tipo de aviso ou explicação…  Foram-se.

Maldita tecnologia!
Vou tentar seguir a via do optimismo exacerbado e tomar isto como um sinal do destino a avisar-me que está na altura de criar novas memórias e fotografias…

É isso, ou engolir o orgulho e rezar a algum engenheiro informático caridoso para um milagre da recuperação dos ficheiros.

Photo:Weheartit

As ideias correm, as memórias ficam, os dedos fervem de antecipação... É preciso escrever!