// Da energia contangiante//

Quem não gosta daquelas pessoas que conseguem animar toda a gente? Parece que a sua boa disposição é contagiante… Todo o mundo ri das suas brincadeiras, é alegria e amor no ar… Uma beleza!

Engraçado (ou não) que sejam essas mesmas pessoas que conseguem contagiar uma sala inteira com a sua má disposição quando o dia não lhes corre bem. O poço de boa disposição torna-se num buraco negro de amargura.E de repente todos à sua volta se tornam alvos a abater… É fugir para detrás de barricadas e esperar o cessar-fogo.

O ambiente fica de cortar à faca e uma pessoa pergunta-se: como é que é possível uma personalidade chegar de um extremo ao outro num tão curto espaço de tempo?

// Patience is not mmy middle name//


Patience is not my middle name, or my first or even my last.

Ultimamente, paciência é algo que não me assiste. De todo… Não que não ache que ser paciente não seja uma boa qualidade a ter no repertório mas ser paciente cansa. Cansa-me, aborrece-me e tira-me do sério, por esta ordem. Quando me pedem para esperar, para aguardar mais um bocadinho, para ter paciência, sou assolada por um cansaço mental que nem vos digo, nem vos conto… Umas vezes dá-me para bocejar, de outras para barafustar, mais que não seja internamente. Não sou dos que pedem licença a um pé para mover o outro. Eu comprometo-me e espero o mesmo dos restantes. Mas a vida não anda…

E a culpa é minha, meus senhores? Não, não é. Porque eu considero que se segui as regras do livro da vida, se fiz o trabalho que me competia, as coisas devem correr segundo a sua ordem natural: eu faço, a vida acontece.
Mas não, a minha vida neste momento parece uma repartição estatal portuguesa, cheia de burocracias e atrasos. Eu faço, nada acontece. Eu faço, mas tenho de esperar. Eu faço mas há que ter paciência.

Respirar fundo, a p**ra! Estou farta de estar á espera.
Não se vê ação nenhuma… E depois admiram-se de uma pessoa andar ansiosa.

// Be careful with what you wish for…//

… ‘cause you just might get it.

Quando o momento chega até é difícil de acreditar. É alegria, é medo, é excitação, é incerteza tudo junto numa redoma de emoção cá dentro. O desejo torna-se mais real e a decisão está nas nossas mãos.

Não há como voltar atrás. Acabaram-se as desculpas e os queixumes. A solução para os problemas existe e cabe-nos a nós conquistá-la e assumi-la.

Chegou a hora. É agora ou nunca. Com coragem. Com fé. Com força.

// Pretexto para escrever?//

Precisa de um pretexto para escrever? Na verdade, não. Mas por vezes dá jeito. As palavras nunca falham mas custam a sair se não forem convidadas a fazê-lo. E acaba por ficar tudo por escrever mas muito pouco por imaginar.

// Reverie//

Poucas coisas sabem tão bem como o cansaço típico depois de um dia bem passado na praia. O sol queima-me os olhos e deixa-me ainda mais cansada.
Tenho passado dias e dias a observar as horas passarem com lentidão enquanto os sonhos me passam pela cabeça, um a um, suavemente ganhando forma e feitio como se estivesse a sonhar acordada.

Tenho ouvido histórias e imaginado outras tantas que fazem com que os dias agora me pareçam ainda mais banais do que costumam ser. Dizem que se deve viver no presente mas o meu presente parece-me insípido e o que me interessa é o que está para vir: O MEU futuro, aquele que já esteve mais longe do que está agora, aquele povoado de alegrias e sucessos alcançados, o meu futuro lá fora…

Os planos, as premonições, as apostas, os desejos todos juntos como uma mão de cartas enroladas em fio norte. E não sei porque razão mas são todos eles agora mais meus, mais próximos, mais concretos.

E as ideias voam longe, os pés estão doridos mas a caminhada compensa.

// Naqueles dias em que só apetece ir à tromba a alguém…//

… mas não se pode, porque não é bonito, não parece bem, e o politicamente correto é ser-se contra a violência, eu sugiro:

Respirar fundo, afastar-se do café, pensar em coisas bonitas como o mar, algodão doce e unicórnios, praticar exercício físico q.b. e esperar que o karma venha repor a ordem natural das coisas.

Em outra ocasiões eu diria: “Espere pela justiça, que a verdade sempre vem ao de cima!”, mas isso era quando era nova e ingénua. Agora já sei que a justiça é uma figura mitológica, como o monstro de Lochness ou o Pai Natal… Acho que temos melhores hipóteses em esperar por uma qualquer intervenção divina.

Se isto não resultar e continuar a achar que a sua vida é madrasta, pense que existem coisas piores na vida, tipo ter um psicopata a viver na porta ao lado.

“I’m watching you, sucker, I am watching you!”

// A Roma//

Roma em março não deixa de ser a Roma do turista, do gellato, das esplanadas cheias na piazza Navona. Roma em março não foi para mim a Roma encantadora e romântica que se apregoava. Procurei essa Roma nas ruas mas não a encontrei.Não interessa, de qualquer modo não é isso que me fascina.


No entanto, Roma não me decepcionou. Encontrei a “minha” Roma no interior das belas igrejas, ao balcão do pequeno café em Campo de Fiori para um cappuccino matinal, na correia de Termini, na companhia para mais uma visita ao Vaticano,no senhor fardado no Panteão, à mesa numa das trattorias escondidas em Trastevere, nas conversas alegres ao longo dotibre, nas rosas roubadas na Piazza del Popolo.


Fiquei com a impressão que os verdadeiros romanos, apesar de partilharem as mesmas ruas que o comum visitante, vivem no mundo à parte, numa Roma mais real e só sua, onde as suas vidas se desenrolam indiferentes às idas e vindas do turista e de tudo à volta dele.

Mesmo na travessia do apinhado 64, um verdadeiro romano reconhece outro verdadeiro romano com apenas um piscar de olhos. No fundo do autocarro, a napolitana elegante a morar em Roma há tempo suficiente para ser “romana” mete conversa com o romano nómada que viveu em Londres, que passeia pelo mundo inteiro mas que não consegue evitar voltar a Roma para se sentir novamente em casa. Falam de política, trocam lugares-comuns acerca da economia e voltam ao assunto da sua bella Roma, as coisas boas e os problemas: o trânsito e o tempo que demoram a chegar a casa do trabalho mas também os lugares favoritos para jantar, tudo numa cumplicidade própria de quem sabe do que está a falar.

Os romanos sabem ser acolhedores e receber bem quem os visita mas uma certa indiferença sempre perdura. E compreende-se, a verdadeira Roma não é para todos.


Se Roma fosse uma mulher seria uma mulher bela mas “séria”, só mostra o seu verdadeiro e melhor lado para aqueles que estão dispostos a ficar tempo suficiente para a conhecer.

As ideias correm, as memórias ficam, os dedos fervem de antecipação... É preciso escrever!