A Roma

Roma em março não deixa de ser a Roma do turista, do gellato, das esplanadas cheias na piazza Navona. Roma em março não foi para mim a Roma encantadora e romântica que se apregoava. Procurei essa Roma nas ruas mas não a encontrei.Não interessa, de qualquer modo não é isso que me fascina.
No entanto, Roma não me decepcionou. Encontrei a “minha” Roma no interior das belas igrejas, ao balcão do pequeno café em Campo de Fiori para um cappuccino matinal, na correia de Termini, na companhia para mais uma visita ao Vaticano,no senhor fardado no Panteão, à mesa numa das trattorias escondidas em Trastevere, nas conversas alegres ao longo dotibre, nas rosas roubadas na Piazza del Popolo.
Fiquei com a impressão que os verdadeiros romanos, apesar de partilharem as mesmas ruas que o comum visitante, vivem no mundo à parte, numa Roma mais real e só sua, onde as suas vidas se desenrolam indiferentes às idas e vindas do turista e de tudo à volta dele.
Mesmo na travessia do apinhado 64, um verdadeiro romano reconhece outro verdadeiro romano com apenas um piscar de olhos. No fundo do autocarro, a napolitana elegante a morar em Roma há tempo suficiente para ser “romana” mete conversa com o romano nómada que viveu em Londres, que passeia pelo mundo inteiro mas que não consegue evitar voltar a Roma para se sentir novamente em casa. Falam de política, trocam lugares-comuns acerca da economia e voltam ao assunto da sua bella Roma, as coisas boas e os problemas: o trânsito e o tempo que demoram a chegar a casa do trabalho mas também os lugares favoritos para jantar, tudo numa cumplicidade própria de quem sabe do que está a falar.
Os romanos sabem ser acolhedores e receber bem quem os visita mas uma certa indiferença sempre perdura. E compreende-se, a verdadeira Roma não é para todos.
Se Roma fosse uma mulher seria uma mulher bela mas “séria”, só mostra o seu verdadeiro e melhor lado para aqueles que estão dispostos a ficar tempo suficiente para a conhecer.